O CINEMA SANTA EFIGÊNIA
(1) - O ESPAÇO ENQUANTO CONCRETUDE

A primeira sessão de cinema no Brasil ocorreu na tarde do dia 08 de julho de 1896, em uma loja da Rua Ouvidor, no Rio de Janeiro. Em Minas Gerais, a sessão que inaugurou o cinema aconteceu em Juiz de Fora, no dia 23 de julho de 1897, poucos meses antes da transferência da capital para Belo Horizonte. Na nova capital, a primeira exibição se deu em 10 de julho de 1898.

Em pouco mais de uma década, as salas de cinema instalam-se no centro da cidade. Entre as décadas de 20 e 30, surgem os grandes cinemas, inspirados nos “movie-palaces” americanos. Nos anos 40 e 50, os cinemas conquistam novos espaços, expandindo-se também pelos bairros.

Belo Horizonte também se transformava. Na década de 40, a cidade atravessa um grande surto de crescimento e modernização, incluindo aí, a construção da Pampulha. A partir de 1943 até o final da década, foram inauguradas mais de quinze salas de cinema.

Entre eles, o Cine Santa Efigênia, inaugurado em 04 de agosto de 1945, com o filme “A Revolta” de Lewis Milestone. Com capacidade para 977 pessoas sentadas era de propriedade da empresa “Cinemas e Teatros Minas Gerais”. Foi fechado em 22 de fevereiro de 1981 com o filme “Xanadú”.

O prédio foi projetado pelo arquiteto, professor e urbanista italiano Rafaelo Berti. Pioneiro da arquitetura em Belo Horizonte - onde chegou em 1930, Berti projetou edifícios de grande importância para a cidade: o Hospital Felício Rocho, a Santa Casa, a Prefeitura Municipal, a Casa d’Itália, o Palácio Arquiepiscopal, o Colégio Batista Mineiro, a Sede Social do Minas Tênis Clube, Colégio Marconi, entre muitos outros na capital e no interior de Minas Gerais, além de outros Estados.

O CINEMA MORREU (?) VIVA O CINEMA! VIVA O ESPAÇO! VIVA O LAPA MULTSHOW!

É este, o projeto que levou à reforma e restauração do Cinema Santa Efigênia e sua transformação numa casa de shows, lembrando o tempo em que nos palcos do cinema havia música ao vivo.

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(1) Este texto foi produzido a partir da pesquisa do historiador Ataídes Braga, sobre o fim das salas de cinema de Belo Horizonte, que resultou na edição do livro “O Fim das Coisas” – através do CRAV / Secretaria Municipal de Cultura / PBH, em 1995 – ano comemorativo ao “Centenário do Cinema”.



Centro Cultural Lapa Multshow
Fatos e números




“Então nos insurgimos contra o desaparecimento dessas salas; que em certo grau se ligaram à nossa vida, e acabaram antes que nós acabássemos – uma injustiça, pelo menos uma irregularidade. Quem não sentiu a perda de um cinema freqüentado durante anos.
Tem memória nublada ou coração de pedra”

(Carlos Drummond de Andrade, In: Revista Filme Cultura, nº 47,ago.1986, p. 108.)